Postado por Thiago em 18/05/2012 na categoria
Forestcom
Ah, os ventos da mudança! Se pensarmos numa perspectiva de dez anos a gente percebe o quanto as coisas mudaram! Quando eu tinha 20 anos a Europa era rica, o Brasil pobre, a ideia de um presidente negro nos EUA era ridícula e o aquecimento global era só fábula de ambientalista. Em 2002 não existiam mídias sociais, a internet era 1.0, o Youtube ainda demoraria três anos pra ser inventado, não existia Prouni, e eu trabalhava oito horas num banco que não existe mais pra pagar uma mensalidade absurda a fim de receber um diploma que mais tarde deixou de ser exigido para uma profissão que ficou obsoleta. Jornalismo! O próprio nome em tempos de tablets cheira a jornal velho.
Mas ao mesmo tempo em que essa onda vertiginosa age no cerne da nossa sociedade, mudando tudo a todo momento, na outra ponta o processo é lento… muito lento. E, infelizmente, é justamente nessa outra ponta que as coisas acontecem. Ou deveriam acontecer.
Enquanto a velocidade da informação deixa tudo pornograficamente transparente, com documentos, vídeos, fotos e qualquer coisa confidencial vazando na rede, do outro fica aquela sensação de tá… mas e daí?
As punições são lentas, as mudanças estruturais demoram, a burocracia emperra tudo e a política não se renova. De um lado somos uma turba enfurecida explodindo em metamorfoses psicodélicas e rearranjos de moléculas, uma sociedade vibrante que muda a cada segundo com novas composições e novas ideias. Mas do outro lado temos verdadeiros senhores feudais fechados em em estruturas de concreto assinando papeis com suas canetas caras superprotegidos pela grande muralha das instituições.

No fundo todo mundo sabe que os portões uma hora ou outra vão cair. A pergunta é: como?
Tem hora que parece que vai! Que a galera vai entrar chutando que nem os árabes fizeram na primavera do ano passado. Mas tem hora que parece que as instituições são simplesmente indestrutíveis!
Já temos jovens escalando as paredes pelo lado de fora, invadindo a fortaleza e negociando a descida dos portões de forma pacífica. Eu, perto dos meus 30 anos, estou mais pra esse lado da revolução. Participar das decisões políticas, me engajar e ocupar os espaços disponíveis. Mas, como espectador e ator desse teatro chamado “democracia”, devo dizer… a negociação é lenta e confusa! Isso porque parece que do lado de dentro temos um grupo suicida, que sabe que vai perder e quer aproveitar para ganhar tudo o que pode enquanto pode… custe o que custar!

Às vezes acho que o problema mesmo é esse lance de choque de gerações. Uma geração de políticos velhos, podres e suicidas que com canetas caras assinam papéis timbrados com brasões da república, enquanto do outro lado está uma nova geração cheia de gás, cujo córtex cerebral é formado em telas touchscreen, múltiplas abas de navegação e hiperconexão. Garotos sedentos de mudança que assinam eletronicamente no Avaaz e em leis de iniciativa popular.

Sim, as coisas mudaram rápido demais nos últimos dez anos, uma mudança grande demais para as velhas engrenagens do nosso sisteminha gerido por senadores de bigodes com terras feudais no norte do país.
Talvez vivamos agora esse embate de gerações porque o ser humano bagunçou demais a linha natural da vida. Antigamente era mais fácil passar o bastão pras gerações seguintes pelo simples fato de que era mais fácil morrer! Agora não. Temos que esperar sentados um tempo muito grande olhando os mais velhos fazerem cagadas sem poder reivindicar nosso espaço. Isso porque quem comanda tem essa fixação pela eternidade, pela imortalidade. Investem no melhor da medicina e dos fármacos testados e aprovados em populações miseráveis da África, tudo para não nos darem o prazer de morrerem. Por que esses filhas-da-puta simplesmente não morrem?
Nossa geração tem que lidar com zumbis políticos que a cada canetada consomem cérebros novos e isso causa essa contradição, de velhos sem perspectivas gastando tubos em medicamentos e jovens esperançosos aliviando a ansiedade em cigarros.
Na beirada dos meus 30 anos eu me vejo cada vez mais no meio desse fogo cruzado. Minha geração está bem no meio de dois modelos diferentes de sociedades, o modelo analógico e o digital. O que está vindo depois de mim (essa loucura toda aí de bebês operando smartphones e tablets) é um negócio que nem eu entendo direito… o que dizer dos nossos antigos senadores do Amapá e suas canetas ferozes.
Do jeito que a coisa está acelerada eu só rezo para não estar dentro da fortaleza caso um dia a turba violenta consiga finalmente explodir os portões! Saravá!
Por: Thiago Foresti