Rodas no Eixo, Desacelerando para a Sustentabilidade

O evento será em Brasília, mas fica a dica para os amigos e colaboradores 10porhora. Bora desacelerar e rumar para a sustentabilidade em tudo que é canto? Unindo os grupos, aprendendo e ensinado!?

Divulgação no Jornal O Miraculoso (leia mais sobre o evento).

EVENTO: participe e convide seus amigos!

Quem já se uniu e acredita nessa construção coletiva:

Deixamos o convite a todos que ainda quiserem participar nesse ou nas futuras edições do evento e assim somarem experiências, sonhos e esforços para construção de uma sociedade mais calma, equilibrada e em paz! Para participar do evento, expondo seu projeto, coletivo e/ou arte é só entrar em contato no (61) 9811-2104 ou redeatitudebrasil@gmail.com

Bom final de semana, bom descanso e passeios! Desacelere! Viva! ;)

 

Atitude Acadêmica – Bagagem Cultural

Já está no ar um novo sistema que pode mudar a sua relação com os livros. Sim, os livros, quem de nós não tem pelo menos um? E quantos de nós, ao invés de comprar um livro desejado, não pega um livro emprestado com um amigo? O pobre do amigo já conhece a novela: mal o livro saiu da estante, a notícia já correu e outros conhecidos querem o livro emprestado. O material de leitura corre várias mãos e às vezes nem volta para o dono. Em algum ponto, o paradeiro do livro se tornou desconhecido para toda a rede de amigos. Nesse ponto está a Bagagem Cultural.

A Biblioteca Auto-Gestionária Educativa Móvel, também conhecida como B.A.G.A.G.E.M. ou simplesmente Bagagem Cultural, é o velho sistema de troca de livro tornado consciente. Um sistema em que a libertação do livro de uma rede social restrita é não só consequência esperada, mas intenção final. Sob essa nova lógica, alheia à sacralidade da propriedade privada e ao apego ao bem material, o empréstimo de um livro busca beneficiar não só o amigo que o recebe, mas toda uma população de leitores potenciais.

Biblioteca pois consta de um acervo permanente, que pode ser consultado e emprestado. Auto-Gestionária pois o sistema é administrado e inclusive desenvolvido pelos próprios usuários. Educativa porque o objetivo maior é tornar disponível a todas as pessoas uma coleção de conhecimento transformador. Móvel porque o acervo não fica depositado num lugar físico. O livro só existe enquanto trânsito; somente quando é lido e quando é compartilhado. Daí vem Bagagem pois o conhecimento que o livro traz fica depositado na bagagem cultural do leitor, que levará esse acervo dentro de si, nas suas práticas, atitudes, pensamentos e opiniões, mesmo quando o volume físico não está mais ao alcance. Por fim, Cultural porque o projeto visa ampliar o acesso à cultura. Sabemos que não pode haver transformação social de verdade se as pessoas não tiverem acesso igual a informações críticas, que as levem a formar opiniões embasadas e conscientes. Daí a utilidade desse projeto, que vem se aliar a tantos outros que já vêm buscando a transformação social, a educação popular e a sustentabilidade.

Não mais comprar livros, o conhecimento não pode ser comercializado, pois não cabe num objeto material. Antes, ele é livre para viajar, pois uma vez que um livro é lido, ele nunca mais poderá ser “deslido”. Ele passa a ser Bagagem.

Onde encontrar: BagagemCultural
Como participar: emprestando um livro para alguém.

Por: João Victor Rocha, idealizador do Bagagem Cultural e amigo e colaborador 10porhora.

 

A Muralha!

Ah, os ventos da mudança! Se pensarmos numa perspectiva de dez anos a gente percebe o quanto as coisas mudaram! Quando eu tinha 20 anos a Europa era rica, o Brasil pobre, a ideia de um presidente negro nos EUA era ridícula e o aquecimento global era só fábula de ambientalista. Em 2002 não existiam mídias sociais, a internet era 1.0, o Youtube ainda demoraria três anos pra ser inventado, não existia Prouni, e eu trabalhava oito horas num banco que não existe mais pra pagar uma mensalidade absurda a fim de receber um diploma que mais tarde deixou de ser exigido para uma profissão que ficou obsoleta. Jornalismo! O próprio nome em tempos de tablets cheira a jornal velho.

Mas ao mesmo tempo em que essa onda vertiginosa age no cerne da nossa sociedade, mudando tudo a todo momento, na outra ponta o processo é lento… muito lento. E, infelizmente, é justamente nessa outra ponta que as coisas acontecem. Ou deveriam acontecer.

Enquanto a velocidade da informação deixa tudo pornograficamente transparente, com documentos, vídeos, fotos e qualquer coisa confidencial vazando na rede, do outro fica aquela sensação de tá… mas e daí?

As punições são lentas, as mudanças estruturais demoram, a burocracia emperra tudo e a política não se renova. De um lado somos uma turba enfurecida explodindo em metamorfoses psicodélicas e rearranjos de moléculas, uma sociedade vibrante que muda a cada segundo com novas composições e novas ideias. Mas do outro lado temos verdadeiros senhores feudais fechados em em estruturas de concreto assinando papeis com suas canetas caras superprotegidos pela grande muralha das instituições.

No fundo todo mundo sabe que os portões uma hora ou outra vão cair. A pergunta é: como?

Tem hora que parece que vai! Que a galera vai entrar chutando que nem os árabes fizeram na primavera do ano  passado. Mas tem hora que parece que as instituições são simplesmente indestrutíveis!

Já temos jovens escalando as paredes pelo lado de fora, invadindo a fortaleza e negociando a descida dos portões de forma pacífica. Eu, perto dos meus 30 anos, estou mais pra esse lado da revolução. Participar das decisões políticas, me engajar e ocupar os espaços disponíveis. Mas, como espectador e ator desse teatro chamado “democracia”, devo dizer… a negociação é lenta e confusa! Isso porque parece que do lado de dentro temos um grupo suicida, que sabe que vai perder e quer aproveitar para ganhar tudo o que pode enquanto pode… custe o que custar!

Às vezes acho que o problema mesmo é esse lance de choque de gerações. Uma geração de políticos velhos, podres e suicidas que com canetas caras assinam papéis timbrados com brasões da república, enquanto do outro lado está uma nova geração cheia de gás, cujo córtex cerebral é formado em telas touchscreen, múltiplas abas de navegação e hiperconexão. Garotos sedentos de mudança que assinam eletronicamente no Avaaz e em leis de iniciativa popular.

Sim, as coisas mudaram rápido demais nos últimos dez anos, uma mudança grande demais para as velhas engrenagens do nosso sisteminha gerido por senadores de bigodes com terras feudais no norte do país.

Talvez vivamos agora esse embate de gerações porque o ser humano bagunçou demais a linha natural da vida. Antigamente era mais fácil passar o bastão pras gerações seguintes pelo simples fato de que era mais fácil morrer! Agora não. Temos que esperar sentados um tempo muito grande olhando os mais velhos fazerem cagadas sem poder reivindicar nosso espaço. Isso porque quem comanda tem essa fixação pela eternidade, pela imortalidade. Investem no melhor da medicina e dos fármacos testados e aprovados em populações miseráveis da África, tudo para não nos darem o prazer de morrerem. Por que esses filhas-da-puta simplesmente não morrem?

Nossa geração tem que lidar com zumbis políticos que a cada canetada consomem cérebros novos e isso causa essa contradição, de velhos sem perspectivas gastando tubos em medicamentos e jovens esperançosos aliviando a ansiedade em cigarros.

Na beirada dos meus 30 anos eu me vejo cada vez mais no meio desse fogo cruzado. Minha geração está bem no meio de dois modelos diferentes de sociedades, o modelo analógico e o digital. O que está vindo depois de mim (essa loucura toda aí de bebês operando smartphones e tablets) é um negócio que nem eu entendo direito… o que dizer dos nossos antigos senadores do Amapá e suas canetas ferozes.

Do jeito que a coisa está acelerada eu só rezo para não estar dentro da fortaleza caso um dia a turba violenta consiga finalmente explodir os portões! Saravá!

Por: Thiago Foresti 

 

FAMINTOS, CÃO E HOMEM

o cão tem fome
e, porque tem fome,
come.

o homem também tem fome
mas, porque não merece,
não come.

o cão faminto a comida ganha.
não há questão: se dá.
ele tem fome.

o homem faminto a comida compra.
não há questão: se vende.
ele continua com fome.

o cão pode comer
porque existe
e necessita comer para existir.

o homem não pode comer
porque não trabalha
e necessita trabalhar para existir.

cão e homem serão livres
e o homem será grande
quando a fome receber o outro
e o outro receber a fome.

Texto do amigo e colaborador 10porhora Matt Paiva.

 

Saúde Ambiental

O meio que habitamos é fator determinante para nossa saúde. Costumamos abordar saúde e meio ambiente como coisas diversas, temos, por exemplo, um ministério da saúde e um do meio ambiente.Porém, se caminharmos no sentido de uma visão holística, ambos serão indissociáveis, assim como são indissociáveis o IDH do desenvolvimento econômico, quando esse desenvolvimento não acontece pela deterioração das pessoas e ambientes naturais , matriciais, das localidades em que são medidos .

Podemos exercitar unificar nosso pensamento, ao supormos a terra, em que plantamos os alimentos, como um único organismo, mesmo sabendo que se trata de um conjunto destes, e então aplicar a ela o conceito de saúde. Trata-se de um novo olhar sobre o ambiente, assim podemos nos sensibilizar para o meio natural de uma forma terapêutica, com a qual já estamos familiarizados a usar para nossos próprios corpos e os de nossos parentes e animais…etc. Trata-se de voltar um olhar mais orgânico e menos técnico sobre o planeta, sobre a terra em que se planta, sobre as águas que correm.

Tomemos como exemplo uma fazenda de monocultura que esta desnutrindo o solo e pode acabar por torná-lo estéril , quem deveria intervir? O ministério da saúde ou do meio ambiente? O senhor de terra, proprietário a quem foi dado cuidar daquela porção de terra, que vai produzir e beneficiar  centenas, por vezes milhares ou até milhões de pessoas, deve ser o primeiro responsável. Ele possui muitas alternativas; como contratar um engenheiro agrônomo, que como um terapeuta, tem condição de cuidar da saúde daquele solo e garantir a continuidade produtiva. Pode ir mais longe e contratar um ecologista que pode tratar da interação daquela área com todo o ecossistema em que esta inserida, e com isso tornar sua produção mais digna, fazendo algo que não é exigido pela legislação, porémobtendo reconhecimento em termos da responsabilidade universal, elemento de vanguarda nas tendências mundiais, que vem sendo defendida pelo Dalai Lama, conhecido monje budista.

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All you need is love

O amor é a mais eficiente abordagem holística, pois amar é sentir-se uno.
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Caminhos de Santiago – Parte 3

Quando cheguei em Santiago mesmo, que foi na tarde do dia seguinte coincidentemente dia 1º de abril (!), havia muitas festividades na cidade e eu aproveitei como pude, molhada e carregando a bike pra cima e pra baixo, cansadíssima da viagem, desejando loucamente encontrar os meninos. Peguei o certificado de peregrina e fiquei rondando. Meu dinheiro havia acabado e não tinha como sacar ou de onde tirar, de início não me preocupei, mas foi escurecendo, não encontrava nenhum conhecido, aí fui pedir abrigo no albergue de peregrinos da cidade, eles disseram que não podiam me receber, o frio e meu desespero aumentavam.

Entrei com a bicicleta em uma igreja para fugir do frio e ver se encontrava uma luz, uma senhora veio ter comigo, contei minha história e ela me indicou aos franciscanos, que recebiam pessoas para dormir pela noite. Lá eu me fui com esperança, recebi um dos “não” mais doloridos de minha vida: os franciscanos recebiam indigentes e homens, eu mulher estava fora de cogitação. Chorei, chorei soluçando no meio da rua sem saber o que fazer, já não achando graça no que estava passando. Em meio ao desespero, disse a mim mesma que chorar não resolveria, limpei o rosto mesmo com lágrimas ainda a cair e logo vi uma policial com quem já havia falado anteriormente, lhe contei tudo o que se passara de coração aberto. Seu companheiro de patrulha veio ter conosco e começou a fazer chamadas no rádio, disse que tinha conseguido uma vaga para mim em um albergue de peregrinos fora da cidade mas eu tinha de pagar 5 euros. Falei que não tinha 1 cêntimo, a policial tirou 5 euros do bolso, me deu e disse para eu ir com Deus. Leia o resto deste post »

 

Caminhos de Santiago – Parte 2

Bom, nem tudo foi perfeito, lógico. Com relação a pedalada em si, nossas bicicletas davam problema o tempo todo e tínhamos de parar pra consertar, alguns ficaram sem freio, outros sem marcha, inclusive eu que fiz a última parte inteira do caminho com o freio desajustado e sem trocar a marcha. O caso é que a peregrinação exige muito de nós, pedalávamos todos os dias das 9h da manhã às 19h da noite, em média, e de noite sempre rolava as trocas com os outros peregrinos que conhecíamos, então quando íamos dormir o cansaço era nosso sobrenome e apelido.

Os quartos nos albergues eram coletivos e beliches em sua maioria. Como não é mistério pra maioria dos meus amigos e conhecidos: eu ronco. Mas nunca tive problema com isso e só me lembro de terem reclamado uma vez ou outra assim tranquilamente. Na primeira noite nenhum dos rapazes desconfiaram de nada, apenas comentaram de um ronco que ouviram e não se estenderam mais sobre o assunto.

Mas conforme os dias passavam, meu corpo estava mais cansado e os roncos iam piorando, acredito. Foi na segunda noite que eles me descobriram e daí em diante nossa relação nunca mais foi a mesma, a intimidade já fazia parte do nosso convívio e estava tudo à vontade, os meninos pegavam no meu pé loucamente e não perdiam a oportunidade de fazer qualquer piadinha sobre os meus roncos. De início foi muito legal, a gente ria e eu ficava sem graça, mas depois já nem ligava pros comentários, e os meninos, coitados, continuavam com as piadinhas e desabafavam também da dificuldade de dormir e descansar. Começaram a brigar pra ver quem não ia dormir a meu lado, disfarçavam a conversa com outros peregrinos quando comentavam dos roncadores da noite anterior e volta e meia soltavam: – Poxa peregrina, essa noite foi difícil dormir hein… não sei quem roncava mais, se era você ou o marmanjão do outro lado do quarto. O pessoal perguntava quem é que roncava e dizia que tinha sido duro dormir com toda a sinfonia bem espalhada pelo quarto… mas ninguém falou de tu não…

Saindo de Ponte de Lima, logo que pegamos a trilha do caminho, tivemos de atravessar um riacho que havia transbordado por causa da chuva. Era impossível pedalar, não se via o chão e a água com correnteza estava da altura dos joelhos. Improvisamos com a chuva: sacos na cabeça, sacos de lixo pra tentar isolar a mochila e óculos de sol pra nos permitir enxergar e proteger os olhos… Meu pneu estorou no início do trajeto e foi aí que o movimento segregou: Arthur e Selva resolveram seguir. Eu, Thiago e Arabe voltamos à cidade de Ponte de Lima para trocar meu pneu porque a bombinha de encher não estava funcionando. Logo que consertamos o pneu e após falar com os meninos, soubemos que a trilha do Caminho estava muito complicada por causa da chuva e resolvemos seguir pela auto estrada, até mesmo para ganhar tempo e encontrar os meninos na cidade combinada para descansar do dia e continuarmos juntos.

Só que pela auto estrada perdemos a noção das coisas e era a parte do percurso mais cabulosa de todas do Caminho de Santiago, o morro mais sinistro de subir e descer, e foi a chuva mais tensa de todos os dias da viagem também. Não sabíamos mais onde estávamos e nem que horas eram, não tinhamos parado nem uma vez pra fazer xixi ou comer, já me sentia no limite de minhas forças, e foi então que avistamos uma trilha com a setinha amarela que indica o caminho de Santiago. Seguimos e passamos por um vilarejo, não aparecia uma viva alma sequer para dar qualquer informação, avistamos uma combi que vinha em nossa direção e paramos para perguntar. O motorista falou que era umas 5 horas da tarde e que já havíamos passado da cidade combinada há uns 7 km. Entramos em choque! Perguntamos a distancia para a próxima cidade e o velho falou: São só mais 15 km, nem pensamos e seguimos em frente. Leia o resto deste post »

 

Caminhos de Santiago – Parte 1

A pedido do blog DezporHora, reescrevi algumas partes de meu relato sobre a peregrinação de bike pelo Caminho de Santiago. O relato é bem pessoal (escrito em primeira pessoa mesmo!) e o intuito foi apenas registrar as experiências e encontros que tive, até dá pra tirar algumas lições dessa peregrinação e conhecer um pouco mais sobre o Caminho. Quem tiver interesse pode me escrever que mando algumas dicas com o maior prazer (aracyroza@gmail.com), mas não deixem de pesquisar também. É uma viagem que vale muito a pena.

O percurso que fizemos chama-se Caminho Medieval e foi da cidade do Porto (Portugal) até Santiago de Compostela (Espanha), ao todo pedalamos cerca de 240km e fizemos o Caminho em 6 dias, retornando de trem à cidade do Porto.

A peregrinação aconteceu em 2010, durante a Semana Santa, à época fazia intercâmbio universitário na cidade do Porto e, embora quisesse muito viajar, estava sem dinheiro para grandes empreitadas pela Europa. A ideia de comprar uma bicicleta já ecoava dentro de mim, e foi então que soube pelo amigo que morava comigo, que um grupo de colegas dele estava se organizando para fazer o Caminho de Santiago de Compostela, de bicicleta e durante a Semana Santa.

Animei de cara com a ideia e entrei em contato com o Tiago por telefone, acertamos por alto o que precisava, o que eles estavam planejando e fui me organizando: comprar bicicleta, capacete, roupa apropriada, acessórios da bike, ver mochila, material e alimentação que iria levar… Na noite anterior à peregrinação, cuidando dos últimos preparativos, ainda cheguei a encontrar Tiago e Árabe no mercado por coincidência.

Eu não conhecia pessoalmente a maioria dos meninos, quanto aos outros só nos apresentamos ao iniciar a viagem, mas a convivência e as experiências se encarregaram de mostrar quem era cada um. Movimento dos peregrinos formado: Aracy, Tiago, Árabe, Selva e Arthur. Confesso que iniciei a viagem pensando em sair um pouco da realidade louca de intercâmbio e acreditei que iria meditar, rezar, meditar, rezar mais um pouco… ainda mais por não conhecer os rapazes. Mas, para imensa alegria do meu ser: estava completamente iludida!

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Documentário Massa Crítica

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A UNIVERSIDADE DO FUTURO

Peço licença para dedicar este texto a duas pessoas miraculosas, de nossa comunidade, Diogo Ramalho e Brunna Guimarães, gente valente e talentosa, que estão a `“dar à Luz“ uma menina, Cecília. Penso no futuro, penso na Universidade que será herdada por Cecília, em mais duas décadas.

A discussão desses fatos pessoais parece imprópria no plano acadêmico, político ou até mesmo em meio aos encontros cotidianos, de trabalho, de produção. Esses são planos “públicos“, onde as questões privadas não devem ser tocadas ou expostas. É paradoxal, pois a textura do público deve, necessariamente, ser feita de nossas idiossincrasias individuais de nossos desejos, valores e atitudes. Nós transformamos as coisas concretas, as experiências concretas e cotidianas em coisas abstratas, em arquiteturas que nem lembram mais os seus humildes começos – e esse é o sentido da palavra “humildade“, que tem a mesma raiz de “humus“, solo. A humildade é a referência comum a esses dois mundos, o público e o privado!

Na Universidade, somos orgulhosos de nossa capacidade de abstrair. “Academia“ é quase sinônimo de “lugar abstrato“, de lugar de abstrair, de produzir a compreensão das essências das coisas. Quando falamos, muitas vezes com enorme reverência, da Academia, da Universidade, falamos de um lugar que se dedica a isso – mas que não pode ser confundido com as “essências“ que estuda. Essa confusão é tão comum que as pessoas pensam que a Universidade é “essencial“, e não é. A Universidade pode até mesmo perder a noção do que é essencial com impressionante rapidez e eficiência. A Universidade tem que provar que é essencial através das transformações que comanda. Se não comanda nada, se impede transformações, não é mesmo essencial.

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Motor Mania (1950)

Um clássico a 10 por hora: