Viagens são para pedalar

Por Julio Resende

Rafael: companheiro de viagem do Julio pela Estrada Real

O cicloturista e integrante do 10porhora, Julio Resende, apresentou em outubro de 2008 sua dissertação de mestrado com o tema ” Cicloturistas e suas percepções ambientais: Um estudo na Estrada Real”.

Para produzir o estudo, Julio fez uma viagem pela estrada e entrevistou 28 cicloturistas com o objetivo de caracterizar o perfil socioeconomico de quem faz essa rota e também avaliar a percepção ambiental de uma viagem de bicicleta. “Este estudo revela a intensa forma de perceber o ambiente proporcionada pelas viagens de bicicleta na Estrada Real, além das qualidades do segmento cicloturismo, que podem beneficiar tanto os turistas quanto os residentes”, aponta Julio.

O estudo traz informações desde a motivação para o cicloturismo, passando para os beneficios dessa prática para o meio ambiente e a percepção do ciclista durante a viagem – reforçando a ideia de que a bicicleta nos proporciona uma interação maior com o ambiente, despertando os nossos sentimos e nos aproximando ainda mais com os modos de vida que cruzam os nossos caminhos.

Para 11 (39,29%) entrevistados, o contato com a natureza é também uma motivação:

O ato de pedalar proporciona uma interação intensa com a natureza, pois passam os dias constantemente ao ar livre, sentido, cheirando, ouvindo, vendo e degustando o ambiente. Em diversos momentos das entrevistas, banhos de cachoeiras, estradas em matas, rios sob pontes, travessias de serras, trilhas no cerrado foram citados como momentos especiais da viagem.

As viagens são para pedalar, não para chegar

A bicicleta é um dos principais motivos da viagem e o ato de pedalar é um dos prazeres dos cicloturistas. Percebe-se, por meio dos relatos, que chegar é menos importante do que ir. Ao comparar com viagens de carro, Raquel refletiu que “o gostoso da viagem de bicicleta é o deslocamento. De carro, o deslocamento é como se fosse uma parte em branco da viagem.”

Ao fazer a mesma comparação, Vinícius disse que, “[...] de carro, a pessoa viaja aos lugares para curtir lá. De bicicleta, a pessoa aproveita a locomoção [...]” Portanto, as cidades e os atrativos apenas compõem a viagem, pois ela se dá, na maior parte do tempo, nas estradas e trilhas. Erotides fez uma interessante correlação entre a sua viagem e uma de ônibus:

De ônibus, me sinto preso. É apenas um transporte para chegar aos lugares. Viajar de ônibus é igual a trabalhar. Tem horário para comer, ir ao banheiro. De bicicleta, eu fico livre para parar e fazer um monte de coisas. (EROTIDES)

Os cicloturistas viajam para descansar da rotina de trabalho e a liberdade proporcionada pela bicicleta os ajuda nesse processo, fato que pode ser percebido pelas palavras de Antônio Ricardo:

Eu não tenho pressa para chegar. Não tenho este tipo de preocupação. Eu pedalo e paro quando quero. Estou ali para descansar. Eu gosto de ir bem livre, sem tempo para as coisas. (ANTÔNIO RICARDO)

Ao longo dos dias, os cicloturistas despedem muito tempo sozinhos, fato que acontece até mesmo com aqueles que viajam em grupo, pois nem sempre pedalam lado a lado com seus companheiros. E, como conseqüência dessa solidão, eles pensam e refletem muito durante a viagem, assim como relatou Rafael:

A viagem de bicicleta me faz meditar e pensar na vida. Ela me possibilita muita reflexão e autoconhecimento. Enquanto estou pedalando, estou pensando. Eu penso em sexo, no trabalho, na família, na minha relação com as pessoas, nos acontecimentos do passado, nas minhas atitudes. (RAFAEL)

Ao mesmo tempo em que a bicicleta proporciona uma intensa interação com o ambiente, os viajantes que percorrem rotas fazem também uma viagem introspectiva. Nelas, a região se apresenta a 10 km/h. Os cicloturistas relataram que um dia é sempre diferente do outro. Eles pedalam nas paisagens e passam por cidades, vales e montanhas sempre diferentes. A cada dia, uma nova padaria, pessoas desconhecidas, outra hospedagem, restaurantes com temperos e comidas diferentes. Essa novidade constante faz com que os cicloturistas estejam sempre contrapondo a sua realidade com a das pessoas e a do ambiente de viagem. Dessa forma, a percepção em viagens de bicicleta estimula a reflexão e o autoconhecimento. Sobre isso, Artur refletiu:

Acho que a viagem de bicicleta possibilita um crescimento humano muito grande. Acho que isso acontece porque eu percebo muito as coisas. Eu vejo a realidade das pessoas do interior, aquelas que não têm nada e que a situação é realmente difícil. Isto me faz pensar porque tenho tudo. O aprendizado é muito grande, não tem como ficar indiferente com a realidade dura das pessoas. (ARTUR).

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Comentários: 9

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[...] This post was mentioned on Twitter by 10porhora, 10porhora. 10porhora said: Viagens são para pedalar http://migre.me/10kbt no blog do #10porhora [...]

 

PERCEPÇÃO AMBIENTAL DE PRODUTORES RURAIS

A Federação da Agricultura do Estado do Espírito Santo (FAES), através de seu Conselho de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (COMARH), com o apoio do Núcleo de Estudos em Percepção Ambiental / NEPA, está iniciando uma pesquisa (inéditas e em âmbito estadual) voltada ao estudo da percepção ambiental dos produtores rurais. Entre outros objetivos, a pesquisa visa assegurar à FAES informações adicionais para seu programa de conscientização ambiental do segmento dos produtores rurais. É pretensão do NEPA levar (posteriormente) esta importante pesquisa para outros Estados de modo a, progressivamente, ter o cenário da percepção ambiental nacional do segmento O NEPA acaba de concluir na Região da Grande Vitória (ES), pesquisa também inédita para a região, um estudo da percepção ambiental da sociedade frente à problemática (causas, efeitos, prós e contras) das mudanças climáticas.

Roosevelt S. Fernandes, M. Sc.
Núcleo de Estudos em Percepção Ambiental / NEPA
roosevelt@ebrnet.com.br

Silvio Antônio Lourenço
 

Muito interessante o estudo e concordo com a maioria das opiniões dos ciclistas. Já fiz a Estrada Real toda, a primeira vez fui de BH a Diamantina, e na segunda de BH a Paraty. E o melhor destas viagens realmente não é o chegar aos lugarejos, e sim o percurso. Alí está a verdadeira razão de todo o esforço que desprendemos nas estradas. Acabo de pedalar pela região de Lavras Novas, e a sensação de liberdade é o que mais me atrai.

 

Oi Silvio,

Que bom que gostou. A bicicleta é proporciona uma bela experiência e não é preciso ansiedade alguma para chegar a algum lugar. Ela nos ajuda a viver no presente, com intensidade.

Você gostaria de nos enviar algumas fotos e/ou escrever alguma coisa sobre sua experiência 10 por hora.

abr

Júlio

Agostinho Mendonça da Costa
 

Estou adorando este site. Parabéns a toda equipe. Vocês estão nos proporcionando uma coisa que poucos sites têm: entusiasmo. Procuro matérias que me estimulem voltar a pedalar. Vejam por quê…
Moro em Ribeirão Preto/SP (um calor infernal). Tenho 45 anos, casado há 20, três filhos; infelizmente sou fumante, cervejeiro, horríveis 125 kg e sedentário (trabalho em escritório). Mas nem sempre fui assim. Por toda a adolescência até o início da fase adulta, pedalava muito, muito mesmo. Era magro e disposto, tinha uma bicicleta monark (aquela com um círculo no meio do quadro), sem marchas, simples, e com ela ia pra todo lado, uns 25, 30 km por dia, sem muito esforço. Daí comprei uma moto, depois um carro, e hoje deu-no-que-deu.
Quero voltar a pedalar com maior frequência, e um dia viajar de bike. Tenho agora uma bike super gostosa (não “de ponta”, cara) mas uma que me aguenta bem. Tenho dado algumas voltinhas e tem sido muito prazeroso!!!!
Gostaria de ler relatos de pessoas que passaram pelo que estou passando e deram a volta por cima, relatos que estimulem o retorno às pedaladas. Mas vocês têm ajudado muito, parabéns a todos. Não troco vocês por nada. Estão no “Meus Favoritos”. Forte abraço.

 

olá gostei do artigo, curto demais pedalar, mais me sinto insegura para pedalar saozinha gostaria de encontrar pessoas com o mesmo objetivo ou a mesma alegria de pedalar, gostaria de tentar fazer o caminho da fé, porém sei que preciso de treino. até bom final de semana

 

[...] Agostinho Mendonça da Costa, publicado em forma de comentário aqui [...]

 

[...] Meditadores experientes e artistas, por exemplo, são capazes de baixar sua frequência cerebral consideravelmente. É nas frequências cerebrais mais baixas que a criatividade pipoca na sua cabeça como um processo de descontinuidade, um salto para fora do sistema, a criação do novo. A nova ideia é como o salto quântico do elétron de uma órbita para a outra. Surge do diálogo entre nosso ego clássico e quântico. Outros métodos espirituais como a reza, a dança e o canto são formas de baixar a frequência. Alguns tipos de turismo também proporcionam este tipo de experiência, como por exemplo as viagens de bicicleta. [...]

 

[...] Meditadores experientes e artistas, por exemplo, são capazes de baixar sua frequência cerebral consideravelmente. É nas frequências cerebrais mais baixas que a criatividade pipoca na sua cabeça como um processo de descontinuidade, um salto para fora do sistema, a criação do novo. A nova ideia é como o salto quântico do elétron de uma órbita para a outra. Surge do diálogo entre nosso ego clássico e quântico. Outros métodos espirituais como a reza, a dança e o canto são formas de baixar a frequência. Alguns tipos de turismo também proporcionam este tipo de experiência, como por exemplo as viagens de bicicleta. [...]

 

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