Cicloturismo

Percurso: Campo Grande [MS] a Poconé [MT]

 
O ciclista Hecson Martins é casado, pai de família, tricampeão de montain bike na categoria máster A e pedala desde os tempos que ia pra escola de bicicleta. Fez sua primeira viagem saindo de Campo Grande para Cassilândia [500km de distância da capital do MS] e há tempos sonhava com uma ‘tal’ viagem pela Transpantaneira [MT].

Para o cicloviajante os últimos meses foram só expectativa e estudo sobre as condições de viagem até cair na estrada no dia 12 de julho ao lado do amigo e também ciclista Jordao Yanko, pedalante de 1a viagem. Mesmo longe de casa, a força que vem de terras sul matogrossenses  é fundamental. “A minha família sempre me apóia em tudo que faço. Quando falo que vou para o pantanal eles ficam preocupados, mas me dão força e isso ajuda porque faço a viajem sabendo que tenho apoio deles. Inclusive já fiz até uma viajem com minha esposa. Fomos para Bonito e foi muito legal”, lembra Hecson.

O trecho da Transpantaneira que Hecson e Jordão pedalaram é quase o mesmo feito pela equipe do 10porhora em dezembro do ano passado . Por isso o nosso interesse em saber como foi a viagem e divulgar pra que mais ciclistas possam experimentar a beleza do pantanal. “Esse pedal foi uma aventura inesquecível. Foram 16 dias bem intensos, sendo os sete primeiros com muito frio”. Mas não foram ladeiras ou a travessia das pontes as únicas dificuldades para o ciclista. “O maior problema nesses dias era a tarde na hora do banho. Não tinha chuveiro e no caninho a água era gelada. Mega gelada. Ultra gelada”. (Risos)

Outra coisa que a viagem comprovou foi a simpatia do povo que vive ao longo do trajeto percorrido. “A hospitalidade do povo pantaneiro é um negócio impressionante. Em todos os lugares que paramos fomos muito bem recebidos – no começo com um pouco de desconfiança e depois de um tiquinho de prosa já tava tudo bem” E uma dica: “se você chegar perto da hora do almoço pode ter certeza eles te convidar para almoçar”.

Abaixo um pouco do diário de viagem encaminhado pelo ciclista para o Projeto 10porhora

 

Saímos de Campo Grande dia 12 de julho com destino a cidade de Rio Negro. Era um trecho de 150 km de asfalto e no segundo dia de viagem já estávamos no Portal do Pantanal. Nesse dia dormimos em uma vila que é conhecida como Coloninha e lá foi também o nosso último ponto de apoio.  Dali pra frente só tinham fazendas. No terceiro dia paramos para almoçar e aproveitamos para pescar em uma lagoa. Foi muito legal e até atrasamos um pouco a viagem e tivemos que acampar no mato.

Procuramos dormir sempre nas sedes das fazendas ou nas comitivas que encontrávamos pelo caminho. Só duas vezes tivemos que dormir sozinhos – uma vez no mato e outra numa casinha abandonada. Lá acabei pisando em uma cobra.

Estresse

Eu e meu parceiro de viajem, acho que pelo fato de estarmos muitos dias juntos, às vezes rolava alguns estresses. Mas no final do dia estava tudo tranqüilo. Pegamos muitos trechos de areia com sol muito forte. Tinha dia que dava saudades do frio [rsrsrs]. Empurramos muito a bike e tinham trechos fortes de areia. Lembro que no 14º dia, no final da tarde, nossas pernas minaram sangue literalmente porque tínhamos muitos arranhados provenientes dos espinhos. Ainda bem que levamos kit primeiro socorros.

Ah! Estava esquecendo,mas acho bom falar que fomos os primeiros cicloturistas a passar pela ponte do Rio Taquari e que divide o Pantanal da Nhecolândia  com o da região do Paiaguais. A ponte foi inaugurada em novembro de 2009 para facilitar o transporte das boiadas, tanto que a ponte é bem  estreita e tem aproximadamente 3m de largura por 180m de comprimento.

No 15º dia chegamos ao Porto do Recreio. Lá não tinha barco para nos levar até Porto Jofre [MT] e não dava para ir pedalando, pois não tina estrada e a mata era muito fechada. Seria perigoso ficar tentando achar caminho ali e nós não podíamos vacilar. Estou falando de perigo de vida mesmo. Pegamos um barco a remo e subimos o Rio São Lourenço para buscar um barco a motor. Mas antes remamos uns 10 minutos até encontrar o barqueiro. Descemos até o Porto Recreio e pegamos nossas bikes. Subimos o rio por 40 minutos ate Porto Jofre e acampamos na beira do Rio São Lourenço. No dia seguinte pedalamos enfim na Transpantaneira [MT 060] e passamos por lugares lindos. Foram 145 km até a cidade de Poconé [MT]. Lá fomos recebidos pelo nosso patricinador que nos levou até a capital do Mato Grosso, Cuiabá. E já no dia seguinte retornamos para Campo Grande de ônibus.

Resumindo: foram 800km de pedal em uma região bem isolada e de difícil acesso. Conversamos com pessoas que há mais de um ano não saiam da fazenda e não sentiam falta da cidade. Um lugar abençoado por Deus e com uma atmosfera própria. Só estando lá para saber do que eu estou falando. Passamos por várias situações frio, chuva,calor,saudade de casa, da família, dos amigos. Mas no final vale apena. Faria tudo de novo e vou fazer. Em 2012 tem mais.

obs. essa viagem tambem pode ser lida no site Guia do Viajante

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Comentários: 3

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[...] This post was mentioned on Twitter by 10porhora, Juliane Oliveira. Juliane Oliveira said: Post novo sobre viagem na Transpantaneira (MT) no blog do @10porhora http://twixar.com/hwds [...]

Jose Haroldo
 

A qualidade e o conteudo deste site nos mostra a força e a dimensão do ciclismo em nosso país.
Um abraço, parabens pelo trabalho e continuem nem que seja somente pedalando.

Rogerio cavalcante da silva
 

parabens para voçes dois,moro em fortaleza ceara e gostaria de fazer uma viagen dessa,a maior que ja fiz foi de 300 km

 

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