Não! Nós não teremos um Woodstock

Por: Thiago Foresti
Sempre que escuto a frase: “Cara, vai ser o novo Woodstock”, tenho certeza de duas coisas. Uma: o sujeito não tem a menor idéia do que foi o festival de Woodstock e outra: ele não tem a menor idéia do período histórico em que vive.
Há anos que nós da geração de filhos (e filhos de filhos) da revolução sexo drogas e rock and roll esperamos ansiosos pelo nosso “grande festival”, pelo nosso Woodstock… Mas não, ele não virá!
As mobilizações negativas ao SWU foram mais organizadas do que o próprio festival. No twitter, nos blogs, no facebook, ficou evidente que os caras não conseguiram enganar ninguém
Por mais roots, por mais genial, por mais grandioso, por mais espetacular que seja um festival de música, ele nunca vai representar o que o Woodstock representou para para a humanidade. Simplesmente porque um festival de música não consegue mais ser revolucionário.
Nos dias de hoje é mais fácil um evento tipo o Naked Bike chegar perto de um woodstock do que qualquer festival de música. Isso porque woodstock foi, antes de mais nada, uma quebra de paradigma.
Nossa conjuntura é outra, nossos problemas são outros, nossa causa é outra. Naquele mundo dividido entre conservadores amantes da guerra versus hippies paz e amor fazia todo sentido encher as veias de droga e rolar no barro ouvindo Jimi Hendrix e Janis Joplin. Aquele era o espírito, aquela era a transgressão! Os caras não tinham internet, viviam sob regimes autoritários, sob ameaça nuclear, convivendo com a repressão instituída.
Mas nesse mundo estranho de hoje – do colapso ambiental, da confusão de informações, da crise ética – a transgressão está justamente em virar as costas para festivais que se vendem como o novo Woodstock.
O SWU, que aconteceu em Itú, em São Paulo, está justamente na contramão de Woodstock. Ele é apenas mais um produto caro e cheio de propaganda que se disfarça de verde na tentativa de captar a essência transgressora da geração sustentabilidade.
Se por um lado os donos do mundo já entenderam que nos dias de hoje ser verde é, de certa forma, ser transgressor, por outro eles insistem em usar isso como valor agregado para continuar lucrando de forma insustentável. Enchem o palco com bandas cools, obrigam o público a engolir fast food e publicidade incessante. Aí fazem uma ou outra coisinha para parecerem verdes, saem com os bolsos atulhados de grana e vão aumentar a pegada ecológica das Bahamas com iates e champanha.
O lado bom disso é que após o termino do festival jovens se juntaram na acrópole virtual para “xingar muito no twitter”. No twitter, nos blogs, no facebook, ficou evidente que os caras não conseguiram enganar ninguém. O SWU pode entrar para a história, claro que não da mesma forma que o Woodstock, mas ele pode, sim, ganhar uma notinha na era da sustentabilidade. O festival histórico SWU: onde uma geração de brasileiros deu o recado de que não está disposta a engolir mais qualquer porcaria pintada de verde.
Saiba mais o que estão falando sobre o SWU:
SWU, a far$a da $u$tentabilidade

O SWU foi um tiro no pé pra quem esperou alguma coisa realmente revolucionaria… os caras disponibilizaram 5, isso mesmo, 5 únicas bicicletas pra gerar energia pra celular e um gigantesco estacionamento com taxa de 100 reais pra desestimular o fluxo de carros e nada pra estimular o uso de bicicletas ou outros transportes menos ou não poluentes. Sem contar o lixo gerado… isso não tem nada de sustentável e nem de revolucionário. A gente pode processá-los por propaganda enganosa?
Obs.: a verdadeira revolução é de dentro pra fora e sem nenhum holofote. Acredite.
[...] “Não! Nós não teremos um Woodstock” | 10porhora [...]
Os festivais que são realizados hoje são reflexos do aperfeiçoamento da Industria Cultural que visa somente o lucro e não a formação de uma sociedade mais crítica. O reflexo disso são as bandas que se apresentam nestes festivais, na maior parte, compromissadas somente em atender aos interesses de produtoras milionárias e a sustentabilidade, que deveria ser colocada em pauta em todos os meios, é jogada no lixo. A proposta de conservação do verde é, 90%, puro marketing
SWU – Eu Estava Lá – E Me Lasquei. Isso não lembra a propaganda de Smirnoff? Pois é, um contraste berrante entre promessas e entregas. Mas não saio com uma impressão totalmente negativa não, viu? Tinha muita coisa sendo feita sim, apesar do desperdício, do greenwashing, etc, havia até uma central de reciclagem. Quanto ao apoio ao transporte sustentável, um pequeno glimpse do que eu e meus camaradas passamos está aqui: http://picasaweb.google.com/KARARYU/SWUEUESTAVALAEMELASQUEI#
Se o SWU não foi um Woodstock tbém o publico tem sua culpa. No Woodstock o publico invadiu a fazenda, derrubando cercas e fazendo com que um evento pago se tornasse um evento gratuito. Conviveram com a sujeira e tavam cagando pra alimentação, banho, etc…
Não achei de todo mal a bandeira da sustentabilidade levantada pela organização. Rolaram foruns discutindo o tema, reciclagem (que fomentou a economia local), um caminhão com placas solares gerando energia para aquela estação de recarga de celular e uma cenografia com materiais sustentáveis.
O que o povo esperava? Ver uma galera pelada pintada de verde compartilhando canecas pra não usar copinho? Faça-me o favor.
Ok, sempre tem o que melhorar, mas achei bem ok.
Joyce,
infelizmente tenho que discordar da senhorita, pelo que pude ver na net e outros veículos de comunicação o evento foi catastrófico e a utilização do tema SUSTENTABILIDADE um absurdo imenso, num oportunismo mais absurdo ainda! Aproveitou um tema sério, um tema novo com repercussão e um certo apelo principalmente entre os jovens. Acredito que temos que defender essa bandeira e essa nova estrutura social que vem surgindo como uma salvação para esse mundo sem sentido, acelerado, poluído e depressivo que somos obrigados a conviver diariamente. A bandeira da SUSTENTABILIDADE não pode ser vendida a um evento desse tipo. Tive amigos presentes no evento e diversas reclamações me foram relatadas, hambúrguer, pão e queijo por 12 reais, será isso sustentável? Proibir a entrada de pessoas com copos, mesmo q de metal ou plástico (essas canecas mais resistentes de festas) e dentro do evento não entregam as latinhas, as abrem e dão copos plásticos para as pessoas, será isso sustentável? Fico triste em ter que combater copinho plástico, isso é um absurdo tamanho, um despropósito. Não vejo sentido em colocar copinhos plásticos no mundo e levá-los de um lado para o outro dentro de veículos movidos a energias não renováveis. Isso é básico, simples, esse “mundo descartável” é um dos pontos mais fáceis de serem detectados como insustentáveis, são por si só desnecessários, DESCARTÁVEIS em nossas vidas. rs… Sinceramente creio que o senhor Eduardo Fischer, mega empresário paulista teve uma boa cartada, aprendeu com aqueles marketings sociais a La Mc dia Feliz! Com esse evento conseguiu aumentar mais um pouquinho o numero de zeros que aparece em seus extratos bancários. Conseguindo também realizar um mega evento, onde quem participou os 3 dias não conseguiu gastar menos de 500, 600 reais sem estar incluso um copo de água que seja, direito a shows e camping. Preços encontrados no evento: cerveja superior a 6 reais, garrafinha de água superior a 4 reais, hambúrguer 12 reais, pizza gelada 6 reais a fatia. Meu Deus que menino bom esse Eduardinho neh? Infelizmente os benefícios aí encontrados, palestras e outras maquiagens utilizadas para caracterizar esse ar de SUSTENTABILIDADE não ajudam em nada a causa, pelo contrário fingem significar algo e deturpam uma idéia. Os jovens estão ligados, não é tão fácil nos enganar como era antes. Esses “marketizinhos sociais” não nos pegam mais, SWU’s, Mc dia Feliz e outros vão continuar existindo, juntamente com seus palhaços, Ronald’s, Eduardo’s… Porém essas suas palhaçadas hoje são manjadas, truques ultrapassados e sem graça alguma.
UMA NOTA POSITIVA: o que rolou de mais sustentável e legal no evento não foi registrado pela grande mídia, ou melhor, foi omitido, e foi sem dúvida a homenagem e utilização do boné do MST pelos músicos do RATM. Que só se descuidaram em tocar num eventinho desses. Mas a homenagem foi muito legal e justa a um dos movimentos mais legítimos e injustiçados pela grande mídia elitista, ruralista e por outros preconceituosos espalhados por aí.
Abraços,
Diego de Paula.
[...] promessa de um evento verde que não veio ainda vai gerar muitas discussões em redes sociais, blogs e mesas de bar. Abaixo um registro do que eles esqueceram de fazer por aqueles que realmente estão [...]
Eu também pude presenciar o evento e achei mais que óbvio o caráter maqueador da sustentabilidade no SWU.
Eles imprimiram garrafinhas gigantes daqueles achocolatados prontos, tipo nescau, e colaram na roda-gigante do evento para fazer propaganda. Geraram lixo para vender lixo! Construiram estruturas inúteis e nada artísticas apenas enfeitadas com Heinekens e Coca-colas. Juntaram e esmagaram 300mil pessoas que tinham que pagar, no mínimo, 4 reais para beber uma água.
Acho que uma ótima oportunidade para as pessoas que pregam a sustentabilidade demonstrarem a sua capacidade de construir estruturas que respeitem o planeta e a nossa espécie, pode ser um evento tão grande como esse. Acho que eles tinham dinheiro, lugares, pessoas, colaboradores e tudo mais o que precisassem para demonstrar todo o poder da sustentabilidade na prática, com atitudes concretas e em todos os espaços do evento.
O melhor show do mundo no pior evento do mundo! Saí do evento com um grande sentimento de indignação para com pessoas que só pensam em organização focada no dinheiro e não nos relacionamentos, momentos e experiências.
A indústria percebeu que é melhor fazer a propaganda que é verde antes que o público cobre algo.. daí dá esses eventos híbridos: new sustentável, nem transgressor, nem confortável e muito muito caro.
Adorei o texto, Thiaguinho!
Oi Diego, tudo bem?
Entendo a sua indignação em relação a certos aspectos do festival e concordo quando reclama da qualidade e preço da alimentação. Pelo que li em uma entrevista do Eduardo Fischer (nem lembro onde), não foi permitida a entrada de alimento no evento pois são eles os responsáveis caso ocorra algum tipo de intoxicação alimentar, o que não justifica a péssima qualidade dos alimentos fornecidos e os preços. Ok, ponto a melhorar.
Mas assim como vc, eu fui atrás do que diziam ser “práticas sustentáveis” e veja o que eu achei
- um centro de separação de resíduos, com uma coperativa de Itu trampando.
- triagem com iluminação de pet
- triagem feita com container maritimo recuperado
- celularia alimentada com energia solar e eólica, tbém feita num container recuperado.
- neutralização de carbono com plantio de árvores em área de recuperação de mata nativa.
- forum com discussões sobre o tema sustentabilidade
Pelo que eu entendi, as latas ficavam retidas para facilitar o encaminhamento à reciclagem, e para não extraviarem dado o seu valor de mercado.
Sei isso, pq trabalho numa empresa de consultoria ambiental e fui mesmo pra ver o que estava sendo feito, e gostei. Como falei, sempre tem o que melhorar, mas não achei um greenwashing deslavado não.
O grande problema de quem levanta a bandeira da sustentabilidade e ser criticado sem dó, como se o mundo todo fizesse somente marketing.
É aquela coisa, vc não pode dizer que é contra o uso de casacos de pele se vc não é vegetariano pq já vem um monte de gente cair de pau.
Eles venderam um show e nos convidaram a pensar sobre meio ambiente… vi o show e vi ações ambientais, portanto não me senti enganada.
E é óbvio que o objetivo do organizador era o lucro, mas quem foi que falou que ser sustentável é não ganhar grana?
bjs!
Só complementando Diego, eu acho que poderia ter sido feito um festival sem o tema da sustentabilidade, sem nenhuma ação ambiental, que teriam ido as mesmas 150 mil pessoas.
Então pra que criticar quem quis fazer alguma coisa? Vai me dizer que as pessoas foram pela sustentabilidade e não pelo som?
Joyce, concordo que as pessoas foram pelo som e não pela sustentabilidade, então, já que é assim, porque usar a sustentabilidade? Bom, basicamente porque grandes empresas querem dar uma lavada na sujeira que eles fazem por ai. Daí a palavra Greenwash, se lavar de verde. Coca-cola, Nestlé, Monasanto, você acha que esse pessoalzinho teria interesse em bancar um show de rock qualquer como você está dizendo? Acho que não né moça. Por isso vamos acordar! E outra, um evento que se propõe a falar de sustentabilidade e fica no tema reciclagem é tão ridículo quando um cursinho de informática que se propõe a ensiar windowns e word pra jovens de classe média! Neguinho já nasce sabendo essas coisas! É hora de avançar no discurso!!!
Oi Joyce,
respeito também seu posicionamento. Se está tão convencida que o evento foi positivo. Porém minha lamentação continua! Não vendo essa bandeira da SUSTENTABILIDADE para o senhor Eduardo Fischer, e felizmente vejo que a maioria das pessoas ligadas à causa fazem o mesmo. Sua enumeração de “práticas sustentáveis” me mostra a maquiagem o batom, o bloch, o rimel, sei lá como escreve essas coisas.rs… sei que tinha umas bicicletinhas lá, para gerar energia para algumas coisas, porém eram tão poucas que gerou filas. O problema e a motivação tanto para o texto quanto para meu comentário não é criticar, ser um radical verde e nu, e sim tentar avaliar uma situação onde acredito ser evidente o aproveitamento do tema para benefício próprio e reafirmo que foi um puta marketing social sim! A principal divulgação do evento era o tema SUSTENTABILIDADE, vi mais sobre isso que sobre as bandas! É óbvio que a grande maioria das 150 mil pessoas que citou aí, se deslocaram de carros, motos e aviões até o interior paulista pela música, pela dança e pela farra.
Só não concordo com sua defesa a pessoas que se aproveitam de temas tão importante para se auto promoverem ou promoverem algo que fortaleça apenas seus bolsos e ainda fazem publicidade em cima de coisa séria. Deturpam o sentido da coisa. Fizeram uma escultura ou sei lá o que de madeira e garrafas pet de coca-cola, o que significava aquilo? Qual o motivo dos rótulos? Um evento sustentável iria discutir soluções para acabar com a pet e não construir um monumento e falar apenas em reciclagem. O problema não é só o que fazemos com nossos resíduos, e sim, a grande quantidade de lixo que geramos. Não temos apenas que reciclar temos que diminuir o lixo nosso de cada dia! Então pra que utilizar pet se depois teremos que reciclá-las? Fora uma grande porcentagem que vão para nossos rios. Temos tecnologia para chegar à lua e não conseguimos utilizar alguma para banir definitivamente essas coisas descartáveis ? Ou será que não querem parar de nos vender as embalagens? Pois os preços delas estão embutidos no montante final, pagamos pelo produto e pelo lixo (embalagem).
INFELIZMENTE tenho que reclamar, resmungar e ser um chato com relação ao evento em questão. Pois só pude ver presepada e coisas superficiais ao extremo, medidas maquiadoras e a má utilização do tema. Ah, prefiro o silêncio que a banalização por parte desse empresariado que ao meu ver em nada se preocupa com o social e muito menos com o meio em que vivem.
Também não comungo dessa idéia que diz ser de pessoas ligadas à sustentabilidade ao referir-se do casaco de pele, em minha opinião o casaco de pele é absurdo e creio que o ser humano pode ser carnívoro, porém as condições atuais são alarmantes, exageradas, temos que buscar um equilíbrio, não podemos fazer churrascos e galinhadas todos os dias. As vacas peidam muito, os ruralistas desmatam demais e as granjas prendem as galinhas em lugares minúsculos e elas vivem ali por um bom tempo, nem ao menos conhecem a luz do sol, vivem com luzes artificiais e quando estão bem gordinhas são sacrificadas e vendidas no Carrefour, Wal-Mart e outros. Confesso que o frango caipira da vovó é uma delícia!
Finalizando, quanto às latinhas e os copos plásticos, acredito que foi o mais bizarro do evento e não vi fundamento em sua defesa. Pelo que sei milhares de latinhas e copos plásticos estavam jogados pelo chão após o evento, obviamente foram catados e até mesmo reciclados, porém dizer que o evento da SUSTENTABILIDADE decidi colocar copinhos plásticos e descartáveis na Terra pelo preço de mercado das latinhas?!?!
O mais simples seria entregar as latinhas e catá-las após a farra. O que teve que ser feito, pois acabou que foram entregues as latinhas por alguns vendedores, outros seguiram o protocolo do evento e só entregavam em copos descartáveis. No final ficaram os dois juntinhos no chão e foram separados e quero acreditar que reciclados! Porém esses copos não precisavam ter existido e todo carbono que utilizaram para fabricá-los, transportá-los e reciclá-los poderiam ter sido economizados. Quanto o alto preço de mercado e o extravio das latinhas confesso não entender ou acreditar que era uma preocupação do Eduardinho e se era mostra um certo despreparo e ganância excessiva.
Será também que algumas das pessoas que pagaram no mínimo 100 reais pra entrarem em um dos dias de festa iriam sair catando as latinhas, guardá-las em suas bolsas e depois sair vendendo nos recicláveis? Seria uma postura exemplar, mas creio que não fariam isso. Poderia ter sido feita uma conscientização para que isso ocorresse, mas talvez ele estivesse realmente interessado nesse alto valor de mercado do produto mencionado por você, vai saber neh! Poxa, outra coisa, se isso acontecesse (as pessoas levassem suas latinhas nas bolsas) qual seria o problema? As pessoas pagaram pela embalagem ao comprarem o produto, ou seja, a latinha (o lixo) é dela e se quiser fazer aproveito ou vender para reciclagem não seria injusto!
Poderiam fazer tantas coisas realmente sustentáveis, mas a vontade era realmente a música e o lucro, a grana, ou seja, preferiria que não falassem mesmo no tema. Pois como foi feito só engana, ilude e deturpa. Essa é minha humilde opinião e novamente ressalto que respeito seu posicionamento. Parabéns pela profissão.
Um abraço,
Diego de Paula
SWU, de sustentabilidade não houve nada!
A começar pelos digníssimos patrocinadores:
-Heineken, sequer existem embalagens retornáveis dessa marca de cerveja, que pessoalmente acho de péssimo gosto.
-Coca-Cola, acredito não serem necessários comentários a respeito dessa empresa.
-Nestlé, sem dúvida uma das empresas que mais giram o mercado das embalagens descartáveis no país, quiçá, no mundo.
Estive no evento e pude conferir de perto o que é insustentabilidade. Estive lá única e exclusivamente por uma banda, não me deslocaria de Brasília p/ ITU para discutir sustentabilidade, não faria sentido deixar o motor do meu veículo automotor ligado durante 12 horas para discutir sustentabilidade, podendo fazê-lo de minha própria casa. Concordo com os senhores, o evento se apropriou de um tema delicado e empresas das mais predadoras se aproveitaram dessa oportunidade para promoção de suas marcas.
Foi algo simplesmente ridículo chegarmos na porta do evento e sermos barrados pelo segurança porque estavamos com uma canequinha pendurada no ombro. A proposta não era essa? Para mim parecia óbvio, aliás, para muitos de nós parecia óbvio. “Chegaremos com nossa canequinha, o barman vai servir nossa cerva aqui e pronto,a ssim será o resto do dia”. Acreditávamos que nem mesmo os tais copos descartáveis estariam presentes no evento. Agora, a Heineken deve ter pago uma grana pro senhor Eduardo, – que óbviamente, não é um homem sério – para que sua marca estivesse obrigatoriamente estampada na mão de cada um dos 300 mil sujeitos que alí estavam. Bom, ninguém citou os congestionamentos da saída do evento. Eram milhares de carros ligados ao mesmo tempo, e todos parados! Como uma marginal Tietê em horário de rush! Um tranporte coletivo falho e precário que mau atendeu aos que necessitaram. Sem dúvida foi o melhor show da minha vida, RATM é do caráleo! Em relação a sustentabilidade, foi bom perceber que as pessoas que estavam presentes ficaram perplexas da mesma maneira que nós ficamos em relação à abordagem do tema. É como disseram anteriormente, as ações não devem ser genéricas, não pe só vestir uma tanga verde gritando sustentabilidade, conosco o buraco é mais embaixo dona Coca-Cola.
Oi Diego, eu novamente…. adoro esse tema, não resisto a postar novamente… rsrs.
Sei que vivemos um momento em que temos que repensar o consumo de embalagens, muitas completamente desnecessárias, mas acho que isso não cabe ao SWU em sua totalidade. O que quero dizer é que como qquer evento eles devem respeitar certas regras. Verifiquei a questão dos copos e descobri que a polícia não libera eventos que distribuam as latinhas nas mãos do público por questões de segurança… só não pergunte pq em determinado momento eles começaram a distribuir. Podiam ter feito copos biodegradáveis? Podiam, mas nesse evento não rolou.
Vale lembrar que a pet é 100% reciclável, o que já é alguma coisa quando pensamos em meio ambiente. Se tinha um monte de lata, copos e garrafinhas no chão, também devemos responsabilizar o público. Vc bem sabe que tem um monte de gente que não é capaz de andar uns míseros metros até uma lixeira pra descartar o lixo, preferem jogar no chão e foda-se. Isso é uma realidade, uma consciência que ainda temos que trabalhar muito pra mudar, infelizmente.
Como falei, a reciclagem estava sendo feita por uma cooperativa local, gerando renda e empregos para a cidade de Itu (veja o profissão reporter sobre o SWU), portanto era importante sim que as latas fossem enviadas à reciclagem. Era um trabalho social feito pelo SWU, que eu considero de extrema importância.
Enfim, é o que disse no outro post. Tem muita coisa que poderia ter sido feita e não foi, um monte de aspectos para serem melhorados, mas ainda acho que o esforço não foi em vão.
Não importa se o Fischer é marqueteiro, se a Coca Cola é uma baita produtora de embalagens, o que importa é que o Fischer se tocou e colocou em seu evento algumas práticas ambientalmente aceitáveis, e a Coca apresentou a tal da Plant bootle, mostrando que (enfim!) está pelo menos um pouco mais preocupada com os recursos naturais.
Abração.