Dia Mundial sem Carro em Cuiabá!
Por: Thiago Foresti
Ontem foi o Dia Mundial Sem Carro (DMSC). Confesso que achei que o evento demoraria mais tempo para chegar em Cuiabá. Fico feliz de ver que estava enganado. Ontem tive o privilégio de participar e testemunhar mais de 300 pessoas reunidas na praça do Chopão, com suas bikes, capacetes e luzinhas, todos pedalando por mais ciclovias na cidade… Foi de arrepiar!
É impressionante a velocidade dos acontecimentos. No ano passado eu achava que a coisa não tinha mais jeito. Lembro como se fosse hoje. Saí de casa rumo à mesma praça para participar da pedalada do “Dia Mundial Sem Carro” de 2010, organizada pelos simpatizantes da campanha de Marina Silva. O clima era tenebroso. Fumaça, calor, sujeira, Cuiabá parecia a Bagdá que vemos no noticiário. Feia, assustadora, hostil.
Caminhonetes potentes furavam o sinal, carros passavam em alta velocidade, playboys ruralistas roncavam motores querendo chamar atenção. Parece que todos ignoravam a situação da cidade. Na praça apenas eu e uma meia dúzia de gatos pingados apostando na bike. Naquele momento, com a garganta seca, gosto de monóxido na língua e olhos ardendo, um desânimo bateu. O que diabos eu estava fazendo ali? Porque estava perdendo meu tempo em Cuiabá? Eu devia é voltar para São Paulo, participar dos grandes movimentos, me juntar a galera que estava fazendo o verdadeiro agito. Cuiabá não tinha futuro. Era uma cidade sem consciência, que iria sucumbir pela ignorância e desleixo do povo e seus governantes.
2010 foi o pior ano de queimadas que se tem notícia no estado. Era ano de eleição e o poder público estava ocupado demais tentando ganhar votos para cuidar de questões básicas. A população estava largada, o estado em chamas, idosos e crianças morrendo por causa da fumaça e todo mundo sem coragem de desligar o ar-condicionado e colocar a cara na rua.
E lá estava eu, sozinho, querendo de alguma forma participar de alguma coisa. Qualquer coisa! Via na TV e internet as mobilizações em torno do “Dia Mundial Sem Carro”, queria estar lá, queria pôr a cara na rua e pedalar ao lado de uma multidão. Mas a realidade era outra.
E foi naquele momento de maior desolação que eu conheci Amanda. Não sabia, só saberia depois, mas ela seria a pessoa que mais tarde passaria a dividir o mesmo teto e os mesmos sonhos comigo.
Foi muito legal ir à pedalada do “Dia Mundial Sem Carro” com ela um ano depois de nosso reencontro nessa vida. É bom ser testemunha de uma mudança. Sempre acreditei que no futuro datas criadas por publicitários anônimos como “Dia dos Pais”, “Dia da Secretaria” e “Dia das Crianças” seriam um dia substituídas por essas datas de conscientização, como a “Hora do Planeta”, “Dia Mundial da Água” e “Dia Mundial Sem Carro”. Viver nos dias de hoje é ter o privilégio de testemunhar isso. Ver que cada vez mais datas comerciais são menos importantes e cada vez mais datas de consciência mundial mobilizam as pessoas.
Claro que não se pode dizer que Cuiabá mudou do ano passado pra cá. As caminhonetes continuam tendo a preferencial, os playboys filhinhos de ruralistas continuam achando que ronco alto de motor é sinônimo de testosterona, isso sem falar naquele mesmo grupo de motoqueiros que continua se encontrando na frente do Subway da Miguel Hostil para mostrarem seus equipamentos e motos que mais parecem ter saído de um episódio do Jaspion.
Mas a boa notícia é que existe, sim, um movimento! E isso é importantíssimo para Cuiabá!
Há três anos, quando mudei para cá, todo mundo me tinha como louco por usar a bicicleta como meio de transporte. “Cuiabá não foi feita para bicicletas”, diziam. “O calor aqui é inviável”, diziam outros. Ao redor do mundo pessoas com essa opinião estão cada vez mais acuadas pela nova mentalidade. É bom saber que em menos de três anos o movimento chegou no Centro-Oeste.
Agora eu tenho certeza: é irreversível!










Parabéns aos 248 bikers presentes na manifestação em Cuiabá/MT !!!
Boa Thiago F…. vamos engrossar o caldo desse movimento, a cada dia mais e mais pessoas se simpatizam com a causa.
Parabéns pelas fotos !!!
Olha eu ali, tirando foto da Malu e uma amiga, foi um passeio belíssimo e talvez conscientizando alguns outros a começar esse esporte marvilhoso.
[...] contato e começamos a aglutinar aquele movimento. No dia 22 de setembro de 2011, haviam mais de 250 ciclistas na cidade realizando o trajeto da Praça 8 de abril – [...]