
Heverton Bezerra

Heverton Bezerra
Guilherme Cobelo
ProjetoRepensar
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Poesia de Jenipapo-Kanindé

Em busca dx Artista
Salve Cachorro Guerreiro
Cão da Tribo Fulniô
Dentre os cães que há no mundo
O mais nobre companheiro.
Quando PM perguntou
Que fazia pelo caminho
Que não saía do meio
Guerreiro só arrematou:
- Quem chegou aqui primeiro?
***
Desse modo triunfou
Na memória se firmou
O mais nobre, Cão Guerreiro,
Cão da Tribo Fulni-Ô.
***
Texto de A. Canuto (Sabiá Duquesa) / Vídeo por Tauanam
Fotografia por Leonardo Ortegal
O Grande Barco

Heverton Bezerra
Srs. Brasilienses,
Funcionários do alto escalão
Ministros e Senadores,
Venho por meio deste poema
Solicitar vossa atenção
Para um iminente problema
Que se abriga no fundo desse chão.
Uma planta
Cujo nome não se sabe
Nem a cor ou o perfume: brotará no solo do cerrado,
a hora certa, não se tem previsão.
Seus frutos e raízes – desconhecemos.
Ela brotará
À revelia de todo e qualquer regulamento
Assinado por qualquer juiz ou parlamento, e dará seus frutos conforme a estação.
Furiosamente brotará, ameaçando florescer
acima de qualquer edifício e monumento
as leis mais rígidas – cogita-se – não poderão
conter sua furiosa vontade de viver.
Senhores,
Essa planta terá sede de sol e de vida
Tanta, mais tanta, que desconhecerá
Qualquer projeto urbanístico, seja ele tombado ou não.
A planta é selvagem, senhores
A planta ignora tratados políticos
E qualquer arquitetura: a planta é subversiva.
A planta não se curvará perante os Homens da Lei, algozes e capataz,
A planta desconhece a autoridade policial
E a patente dos generais.
A planta é subversiva, senhores, não tem pra onde correr
E eis que chegou – para vosso grande espanto – seu tempo de alvorecer.
A. Canuto (Sabiá Duqueza)
Rafael Cerrado
Éritã Fulni-ô
Projeto Repensar
Grupo Jenipapo

Olivier Boels / Etnofoco
Leve sua poesia, música e vontade de compartilhar arte pelo Santuário dos Pajés!

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Será o tempo o vilão?
O não tempo o amor?
O vilão tem o sistema,
o amor virou problema?
Será o tempo, inimigo da mudança?
E o não tempo, apenas pra criança?
Ah, que saudade da infância!
Será o tempo o mais importante?
O relógio, o senhor da humanidade!
A figura do instante,
dissintonia a partir de uma certa idade?
Não será o tempo o problema?
O que nos afasta de tudo ao redor,
nos enche de serviço,
nos cansa alma e mente, se tornando o principal predador?
Será o não tempo a solução?
A busca pela salvação!
A sincronia perfeita,
entre o homem, o planeta… a razão!
Sofremos humanos nas colheitas,
depois… revirando pra comer, ou limpando as lixeiras!
Abusamos um dos outros,
escondemos nesse “tempo” os problemas verdadeiros!
Será o tempo, inimigo da mudança?
E o não tempo, apenas pra criança?
Ah, que saudade da infância!
Desculpe-me o pedaço burguês…
o que na infância tu fez?
O tempo, real e ingrato,
já rouba o não tempo, lhe mata de fome, o explora, lhe joga num orfanato!
Seguir o relógio,
enche-lhe o de importância,
esquecer-se da criança…
cansado, ignora a própria vida, lhe põe como vencido, subordina-se a milícia!
Milícia dos ponteiros,
portadores de dinheiro,
detentores do seu tempo
lhe roubaram o companheiro!
Trabalho duro e cansativo,
que lhe impede de pensar
é esse que lhe querem,
não dão o “não tempo” pra conscientizar.
Na paranoia de um velho tempo
acompanhamos esses ponteiros
sempre chatos e circulares
gastamos de um mundo, ouro e fundos!
Ponteiros circulares,
que apenas apressam nossos guerreiros e enganados trabalhadores…
que mascarados em marcas, como velhas coroas, distinguem pessoas!
Tenhamos pena de nós, apontemos em nova direção e usemos o não tempo como nossa salvação!
Diego de Paula Campos Castro
Vavá Afiouni
LOBISOMXM Produções
Autoras do Fato - Goiânia

Olivier Boels
Quem se achega ao Santuário dos Pajés logo vê cobaíba, aroeira, ipê, jatobá, um festejo de árvores nativas do cerrado, passarim de enchê de luz as vista – os Fulniô batucando, e quem vai se achegando também vai se inteirando da vida com a terra, planta-se um ipê aqui, uma goiabêra ali, um pequizêro acolá; uns mais achegados arriscam uma pandeiração nas batucadas, se apruma nos pife, bate triângulo e quizumba na zabumba. Até certo tempo atrás – dizem – nada perturbava o canto do juriti – o diabo é que há menos de uma légua, bem perto dali, estridente grita, esperneia com uma fome desesperada de destruição os tratores da Emplavi. Esses tratores, diferente dos passarinhos, não cantam nem avoam; só fazem zoada e desmatação. Chegam derrubando tudo, sem um pingo de dó arrastam árvores ancestrais plantadas pelos índios há anos: caem por terra umbaúbas, guarirobas, pau d’balsa, ipês, cobaíbas, cai tudo, e num sobra nada por onde essas peste passa, só a poeira vermelha nas vista… E a gente simples que se sente rica com tanto passarinho, bicho e planta, em desalento se pergunta: pra quê isso, meu Deus, pra quem serve tanta destruição, onde vai dá tanto desimbêste?
a. canuto





T.F.

Ahoto Skcrew
O tempo traz o peso para os ombros e com passar do tempo todos os seres mais tarde ou mais cedo se curvam…. seja pelo peso das responsabilidades ou somente a lei da gravidade….
Levantar a cabeça e olhar para o céu, ver nas estrelas esperança de que para esse mundo há de haver mudança….
Mudança essa cheia de bem aventurança que resguarde nossas crianças desse tamanho peso que carregamos em vão….
Nada há para carregar se você não carrega sobre si a responsabilidade dessas matanças, desmatanças que poluirão o futuro de nossas crianças…
Deixe de lado todo esse peso e se junte aos que lutam pela esperança e com a fé, siga o seu coração e não o sistema que te aprisiona, essa prisão que te corrói até os seus princípios…. Que te tira a postura e diz que a vida é dura sem te deixar ver…. toda beleza que há na natureza e com toda essa loucura te deixa na fissura de ter e não ser o que há de melhor….
Mas para viver é preciso ser e crer, não ter, mas sim saber…
Saber o que é verdadeiramente valioso para o ser…
Viver e ver o plano que o planeta traçou, como um rastro de cometa que ficou…
Kamila Xavier

LOBISOMXM Produções